Mesmo com abstenção recorde de 40% dos eleitores italianos, a candidata pelo Fratelli d’Italia Giorgia Meloni, foi a candidata com o maior número de votos dessas eleições, somando 26% dos votos, o que deu a coalizão de centro-direita (junto de Salvini e Berlusconi) a vitória no pleito.

O novo governo formado deverá assumir em 13 de outubro e o nome de Melloni deverá ser indicado como primeiro-ministro. Será a primeira vez que a Itália terá um primeiro-ministro mulher e pela primeira vez desde 1945 que a extrema direita retoma o poder.

Mesmo com a grande vitória, o número de candidatos eleitos pelos partidos vinculados a Meloni não permite mudança da constituição, já que não ocupam 2/3 das cadeiras da câmara dos deputados e do senado.

Vale lembrar que essas foram as primeiras eleições após a redução de parlamentares no governo italiano. Especificamente para os representantes dos italianos no exterior, de 18 representantes (12 deputados e 06 senadores) serão 12 os empoçados (08 deputados e 04 senadores). Destes 12, apenas 3 representam a América do Sul, sendo 2 deputados e 1 único senador.

No Brasil, dos 433.636 italianos aptos a votar, apenas 116.209 votaram (26,8% do total), os quais conseguiram eleger um candidato ítalo-brasileiro ao parlamento italiano: Fabio Porta do PD, italiano erradicado no Brasil, teve 22.436 votos e será um dos dois deputados representantes da América do Sul na câmara italiana. Junto dele, Tinelli Franco, do MAIE, teve 44.468 votos e se sentará na outra cadeira. Já no senado, Fittipaldi e Matarazzo tiveram boa quantidade de votos, mas não conseguiram superar Borghese Mario Alejandro, também do MAIE, que somou 58.233 votos. Ambos os eleitos pelo MAIE são ítalo-argentinos.

Assim como nas eleições anteriores, essas eleições contaram com denúncias de fraude, já que urnas provenientes da Argentina, da região de Rosario e La Plata, apresentavam erro de grafia nas cédulas de votação, onde se liam “Diputati” ao invés de “Deputati”, indicando grande probabilidade de cédulas falsas.

Mas a pergunta que todos se fazem é: Meloni pode ser uma ameaça para os que desejam reconhecer a cidadania italiana?

A resposta é que, muito provavelmente, não. Ela e Salvini preferem a lei como existe hoje, com o direito de sangue (ius sanguinis) assegurado. De fato, em 2022, juntamente com Salvini, ela ajudou a derrubar a votação do ius scholae, que previa que a cidadania fosse concedida a estrangeiros em território italiano após a conclusão de alguns ciclos estudantis.

A notícia boa é que Eliza Siragusa, uma das principais defensoras do limite geracional para processos de cidadania ius sanguinis, não conseguiu se eleger e não fara parte do parlamento nesta legislatura, o que afasta novos projetos e ideias nesse sentido.

Durante a campanha desse ano, em setembro, Meloni reconheceu a importância da comunidade italiana ao redor do mundo, em um vídeo disponibilizado em suas mídias sociais. “Enquanto a esquerda prioriza o ius soli, nós defendemos o princípio do ius sanguinis”, disse a candidata.

Há de se considerar que a Itália passa por problemas que demandam de mais atenção do governo do que a concessão de cidadania para descendentes de italianos: a retomada pós-covid com crises inflacionarias e a previsão de um inverno com menos oferta de energia dada a guerra entre Rússia e Ucrânia exigirão de Meloni e demais parlamentares muita atenção e dedicação para que os italianos sofram o mínimo possível.

Ainda assombram o mundo da cidadania a possibilidade da inserção de critérios objetivos para o reconhecimento da cidadania italiana, como o domínio do idioma em nível “B1”, equivalente ao intermediário, critério já aplicado para processos de naturalização por matrimónio. Além disso, se ventila um possível aumento da taxa consular, que hoje é de 300 EURO, para 500 EURO. Lembrando que apenas 30% dessa taxa retorna, de fato, para os consulados. Porém, nada disso está confirmado e devemos esperar para ver os movimentos de Meloni nesse sentido.

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